Você sabe escolher lâmpadas? Parte 2 - medidas - IEI - International Energy Initiative - Brasil
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Você sabe escolher lâmpadas? Parte 2 – medidas

Você sabe escolher lâmpadas? Parte 2 – medidas

Tempo para leitura: 7 minutos

Texto: Gabrielle Adabo – IEI Brasil

Consultoria técnica: Rodolfo Gomes – IEI Brasil

Você quer ler um livro, mas fica incomodado, pois a luz da sala está muito fraca e amarelada… Ou você acorda no meio da noite e acende a luz do quarto e um clarão branco muito forte toma conta do ambiente causando, mais uma vez, incômodo… Essas são algumas das situações que podem ser causadas pela má escolha de uma lâmpada – porque ninguém te explicou (até agora) como fazer essa escolha. Se você é o responsável por comprar lâmpadas na sua casa e não sabe direito o que está fazendo já pode ter vivenciado uma delas. No IEI Explica de hoje vamos (ao menos tentar) ajudar a resolver esse problema!

Para escolher uma lâmpada que seja adequada a um determinado ambiente, e não enfrentar essas situações que citamos, você deve prestar atenção a quatro medidas na hora da compra: volts (V) – para escolher a lâmpada correta de acordo com a sua instalação elétrica; watts (W) e lúmens (lm) – importantes para comprar a lâmpada que emite a quantidade certa de luz; e Kelvin (K) – que indica a cor da luz da lâmpada.

A primeira dessas medidas é uma preocupação comum a todos os itens que funcionam com eletricidade: a voltagem. A voltagem do seu equipamento deve ser a mesma da tomada ou do bocal da lâmpada. Se o aparelho que você ligar for de uma voltagem menor do que a da rede elétrica na qual você o conectar, ele queimará (poderá até fazer barulho e sair fumaça!); por isso é importante prestar atenção a esse aspecto. Os equipamentos, entre eles as lâmpadas, são vendidos com 127 V ou 220 V; também existem os bivolts – que suportam tensões de 127 V e 220 V, mas você que tem que selecionar numa chave que tem no próprio equipamento; e os autovolts – que suportam voltagens dentro de uma determinada faixa, de 100 a 240 V, por exemplo. As lâmpadas LED são, normalmente, autovolts, você não precisa mexer em nenhuma chave, a lâmpada faz isso para você automaticamente.

Este post faz parte de uma série do IEI Explica sobre lâmpadas. Se você ainda não leu o primeiro post, que explica os diferentes tipos de lâmpadas, acesse aqui. Nele você também encontra a tirinha Choque de Gerações, da Turma da Eficiência Energética sobre uma família de lâmpadas do barulho que vai aprontar altas confusões que vai ajudar a explicar as diferenças entre elas.

A segunda dessas medidas indica a quantidade de energia elétrica que a lâmpada “puxa” da rede, ou seja, a potência, medida em watts (W). Você quer um ambiente mais claro para trabalhar ou um ambiente com menos luz para relaxar? Prestar atenção ao valor da potência entre lâmpadas parecidas (LED com LED, fluorescente com fluorescente e incandescente com incandescente) irá ajudar a escolher uma lâmpada com luz mais forte ou mais fraca, de acordo com o que você deseja para o seu ambiente. 

As lâmpadas LED possuem menores valores de potência em relação às lâmpadas fluorescentes que, por sua vez, possuem valores de potência menores que as incandescentes. Por exemplo, uma lâmpada LED de 4,9 watts (W) de potência equivale à mesma quantidade de luz de uma lâmpada fluorescente compacta de 10 watts e a de uma incandescente de 35 watts. Por precisarem de menos energia para funcionar, as lâmpadas LED são consideradas mais eficientes. 

Essas informações de correspondência entre os tipos de lâmpadas costumam vir impressas nas embalagens. Abaixo você encontra uma tabela obtida a partir do Inmetro com os valores em watts correspondentes para lâmpadas fluorescentes compactas e incandescentes e a faixa de fluxo luminoso a ser atingida com a lâmpada de LED em lúmens. Mas, atenção: a correspondência de potência com quantidade de luz serve apenas para lâmpadas do mesmo tipo (como dissemos acima – LED com LED, fluorescente com fluorescente etc.), não dá para comparar uma lâmpada LED com uma incandescente, por exemplo – ou você pode acabar pensando que uma lâmpada incandescente de 60 W ilumina mais que uma LED de 9 W.

Esta tabelinha pode ajudar você a comparar a intensidade de luz dos diferentes tipos de lâmpadas. A tabela completa você pode consultar na Portaria nº 143, de 13 de março de 2015 do Inmetro (clicando aqui).

O fluxo luminoso, medido em lúmens (lm), também está ligado à quantidade de luz que a lâmpada emite. Quanto maior o número de lúmens, mais luz a lâmpada irá emitir e, portanto, mais iluminado o ambiente ficará. A lâmpada de LED do nosso exemplo, com potência de 4,9 W, possui um fluxo luminoso de 480 lm. Um valor semelhante de fluxo luminoso (de 480 a 559 lúmens, de acordo com o Inmetro) será emitido pela lâmpada fluorescente compacta de 10 W e pela incandescente de 35 W, por isso elas são consideradas equivalentes na quantidade de luz que sai delas. Entendido isso, podemos afirmar que essa lâmpada LED consome menos eletricidade do que a fluorescente compacta de 10 W e a incandescente de 35 W porque a potência dela de 4,9 W é a menor para iluminar a mesma coisa (480 lúmens). Dizemos que ela é mais eficiente. Vamos falar mais sobre eficiência para entender melhor o que está na embalagem da lâmpada? Siga o fio abaixo.

O número de lúmens, dividido pelos watts, dá o valor da eficiência luminosa. O cálculo desse valor será importante para escolher a lâmpada que vale mais a pena comprar (teremos logo mais um post específico sobre esse assunto, aguarde). Para a lâmpada de LED do exemplo acima, esse valor será:

 

 

Mas calma, você não precisa fazer esse cálculo na loja, ele já vem calculado na embalagem da lâmpada. Para achar mais facilmente o valor da eficiência luminosa, e também da potência e do fluxo luminoso, basta localizar a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) na caixinha das lâmpadas. Veja nas figuras a seguir:

ENCE para as lâmpadas LED com as informações de potência, fluxo luminoso e eficiência luminosa

ENCE das lâmpadas fluorescentes também traz informações sobre fluxo luminoso, potência e eficiência luminosa

Para a lâmpada fluorescente compacta, considerando que ela tenha um fluxo semelhante de 480 lúmens e a potência de 10 W, a eficiência luminosa será 48 lm/W. A lâmpada fluorescente, portanto, é menos eficiente que a de LED, ou seja, ela produz menos fluxo luminoso (48 lúmens) para cada watt em relação à de LED que produz 98 lúmens usando o mesmo watt. Portanto, a fluorescente precisa de mais potência (logo, consumir mais eletricidade) para produzir a mesma quantidade total de luz (480 lúmens). Já para a lâmpada incandescente de 35 W, que possui um fluxo luminoso igual ao dessas duas, a coisa fica pior ainda: a eficiência luminosa seria de aproximadamente 14 lm/W – bem menos eficiente que a fluorescente compacta e a de LED. A lâmpada de LED, portanto, ilumina o mesmo tanto que a fluorescente e a incandescente consumindo menos eletricidade.

Agora vamos escolher a cor da luz. Esse aspecto da lâmpada é apresentado em Kelvin (K) na embalagem dela. O Kelvin indica a chamada temperatura da cor, dentro de um espectro de cores visíveis ao nossos olhos, que vão do vermelho (a partir de cerca de 1200 K) ao violeta (até 12000 K), passando pelo laranja, amarelo, branco e azul. Normalmente as lâmpadas domésticas são vendidas em tonalidades de amarelo, branco e branco-azulado. Se você deseja uma luz mais amarelada, deve escolher lâmpadas com valores de cerca de 2500 a 3500 K; se deseja uma luz mais branca, os valores sobem para por volta dos 4000 K; para a branca-azulada, os valores deverão ser ainda maiores – em torno dos 6000 K. Veja a representação na figura abaixo:

 

Representação da escala Kelvin para lâmpadas. Crédito: Gabrielle Adabo – IEI Brasil

 

Lembrando que já existem no mercado as chamadas lâmpadas inteligentes, que se conectam a dispositivos como celulares e tablets, por meio dos quais você pode controlar o brilho e a cor da lâmpada… É, no futuro a escolha da lâmpada provavelmente vai estar na ponta dos dedos.

Ah, mais uma última dica. Algumas lâmpadas trazem impresso em seus bocais um pequeno calendário com a indicação dos meses e anos próximos à fabricação. Isso existe para que você faça uma marcação no mês e ano em que instalou a lâmpada. Quando ela queimar, você conseguirá saber quanto tempo ela durou. Na lâmpada aqui da foto, já queimada, essa marcação foi feita – é possível ver que ela foi instalada em 06/2013. Se a sua lâmpada não vier com essa tabelinha, você pode anotar com um marcador o mês e o ano de instalação para ter esse controle. 

Calendário impresso em algumas lâmpadas ajuda a calcular sua vida útil real. Foto: Gabrielle Adabo

No próximo IEI Explica teremos dicas de como escolher a lâmpada que mais trará benefícios para o seu bolso (spoiler: nem sempre é a mais barata…).

E aí? O IEI explicou ou complicou? Deixe seu comentário!